terça-feira, 24 de agosto de 2004

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Imaginem uma árvore. Não, não é isso, imaginem mesmo uma árvore. O exercício que fizeram e a imagem de árvore que dele resultou é o cúmulo de 6 ou 7 séculos de história. Se imaginaram um tronco, ramos e folhas verdes, acabaram de desenhar toda a estrutura do edifício civilizacional do Ocidente, isto é, o mundo dual. E porquê? Perguntarão. Porque a parte escondida da árvore, a raiz, aquela que escapa à nossa percepção, é também parte da mesma árvore. E porque razão, pergunto eu, uma parte do Todo deverá ser ignorada só porque aos nossos sentidos se apresenta ausente? E se pensarmos que é precisamente essa parte que alimenta a árvore visível, aquela que nos permite, através da percepção permitida pelos sentidos, construir na consciência a ideia de árvore? Será essa árvore que vemos uma coisa simplesmente imaginada? Estaremos acorrentados à sua imagem fraccionada da mesma forma que nos prendemos ao visível através da recusa do invisível?E se não fosse o caso de estarmos perante uma questão de árvores, mas perante a realidade propriamente dita? Que raízes ela esconderá? Para que porção dela estaremos cegos?

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