segunda-feira, 30 de janeiro de 2006



Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se levantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
Sei que não vou por aí.
José Régio...

17 comentários:

Bal disse...

Diz-me Yola, será um atrevimento meu comentar um poema do Régio?

Enfim...saber que não se vai por aí é um bom começo que pode levar a sítio nenhum.
Todos conhecemos a figura do torturado sem rumo que recusa a sociedade,o sistema, o caminho dos outros...
O desafio para todos os que já chegaram a este ponto, é o de encontrar um objectivo sob controlo próprio e passar a dizer: sei para onde quero ir!

Anónimo disse...

...Se mantiveres os punhos fechados, apenas obterás alguns grãos de areia. Mas se abrires as mãos, obterás toda a areia do deserto...

Anónimo disse...

...isto é, se estiver no deserto , com as mãos no chão...

Anónimo disse...

... pois, o que significa o deserto na abundância da especulação mental senão um oásis para a alma e onde já não há nada para defender, as mãos no chão agradecem à terra mãe e sentem o seu palpitar enquanto a imensidão da areia representa o vazio fértil, o nada, paridor e gerador do Todo...o Universo...Não há posturas indignas para quem se dobra perante o que o transcende...

Anónimo disse...

Safa...isso tudo encontra-se no deserto?? Imagino o que se poderá encontrar em terreno fértil!!

Anónimo disse...

Qual crês tu que é o sentido da chávena? é a sua forma?
Pergunta aos Judeus e aos palestinos o para quê de tanta guerra no "deserto"?
Agora já não se trata só de punhos fechados, a ameaça paira no ar com a sua agitação...continuas à defesa,...e de quê?... ou de quem?
Dobro-me perante o mais divino que há em ti...

Anónimo disse...

Para mim o sentido da chávena é o chá que nela bebo.
Se alguem obtiver a resposta positiva, correctamente formulada, dos Judeus e Pestinianos ,pode ganhar merecidamente o Nobel da Paz.
Ameaças que pairam no ar, conheço muitas...mosquitos...aquecimento global, armas nucleares...etc...
Eu à defesa? O meu Ego está à defesa, como o teu e o de todos os humanos...
Assim como todos temos um Divino dentro de nós, bem entendido.
Mas tudo isto ainda é a propósito do poema???

Anónimo disse...

Meus queridos, o poema do José Régio é excelente e como motivo PNL pode perfeitamente ser complementado com a formulação de uma meta positiva e congruente.
Parece-me que o resto é só complicação decorrente de representações mentais e egos à solta...

Anónimo disse...

Yola, deixa-me pôr o Fernando Pessoa a juntar um comentário ao José Régio ...

És melhor do que tu.
Não digas nada, sê!
Graça do corpo nu
Que invisível se vê.

Anónimo disse...

..e... lembrem-se que todos esses EGOS À SOLTA se calhar só querem querem duas coisas:
ACEITAÇÃO & UNIÂO

Yola disse...

Estou certa de que não será atrevimento teu comentar um poema do Régio. Escreve-se, muitas vezes, para acordar, também, a voz da discordância ou, simplesmente, para levar outras almas a reflectir sobre determinadas questões.
Saber que não se vai por ai, pode ser, na minha opinião, uma forma de nos levar ao encontro da formulação “de um objectivo sob controlo próprio”. Não poderei eu, antes de formular o meu objectivo, de forma positiva, objectiva, realizável, simples, ecológico, datado, enfim SMART, ponderar sobre os caminhos que não pretendo seguir?
A partir da minha experiência, que é pouca ou nenhuma, informo-te – pois sou ainda uma criança – que este não é, para mim, o caminho mais fácil. Esse será, isso sim, aquele em que os meus objectivos são formulados de forma SMART. Sinto, tal como tu, que o verdadeiro desafio de todos aqueles que chegaram a este ponto é passar a dizer: Sei para onde vou… No entanto, é mais um caminho…

Já agora: quem de nós nunca experimentou o estado do torturado sem rumo que recusa a sociedade, o sistema, o caminho dos outros? Ninguém? Que pena… E isto dependendo sempre da perspectiva, claro está!

Yola disse...

A(o) anónimo(a)
… E se estiver na praia?
Se mantiver os punhos fechados apenas obterei algumas gotas de água.
E se as abrir continuarei a obter algumas gotas de água…
Pensei que se as mantivesse em concha, sem as fechar completamente, mantendo as gotas seguras, e sem as abrir demasiado e permitindo-lhe serem livres, que seria a forma de ter todo o mar… Ou toda a água do mar…

Yola disse...

(Continuando...)
E provavelmente nem estou na praia e estou mesmo no deserto…
E talvez esteja com as mãos no chão e não as tenha elevadas ao nível do meu coração…

Yola disse...

(Continuando...)
O que significa o “teu deserto” e o “meu mar” na abundância da especulação mental (que nunca pára de oscilar) é mesmo o oásis da alma ou a ilha paradisíaca da mesma…
Diz-me, não será já o deserto “fértil” quando aceita SER o que o Universo lhe destinou? Simplesmente deserto… E ainda assim, SER tanto… E assim sendo, não poderão existir posturas indignas para quem se dobra perante o que o transcende…

Isto para te dizer que, para mim, o deserto já é “terreno fértil”…

Yola disse...

(Continuando...)
Também chove na praia e a água transborda nas minhas mãos…
Também há tempestades e vendavais que levam as gotas que nelas foram permanecendo…
Também há dias em que o sol e o calor são de tal ordem que elas evaporam…
E quando de água as minhas mãos se encontram sedentas abandono a praia para me banhar no mar, no todo ou no nada, no mar, no Universo…
E também muitas vezes me encontro à defesa… De quê? Do que existe em mim e me faz fechar ou abrir as mãos completamente… De quem? Também de mim, certamente…

Yola disse...

(Finalizando...)
E no momento em que aprender que as mãos completamente fechadas, as mãos completamente abertas e as mãos em forma de concha querem o mesmo, poderá acontecer a Aceitação e União…

Anónimo disse...

bom,...fico sem palavras
de agradecimento por tanta beleza que jorra de ti e da
pseudo tempestade, que te anima.
fazes-me pensar no destino que a gota de água procura alcançar quando ainda não sabe que é o mar.
Bem ajas...