sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Era uma vez...a cabeça e a barriga

Desde os velhos clássicos que em grande parte da filosofia impera a racionalidade (e a linguagem como aliada), sendo o irracional considerado de natureza inferior. O Eu foi reduzido à racionalidade. A precisão e os processos lógicos atingiram ainda mais fama com o aparecimento da metáfora do computador. Nesta metáfora são excluídas as sensações, as intuições, os sentimentos.
O interessante é que, nas últimas décadas, com a ajuda de aparelhagem cada vez mais sofisticada, o estudo do disco rígido que é nosso cérebro mostrou aos cientistas espantados que não há pensamento, recordação, percepção, que não seja acompanhada de sentimentos!
Mais ainda, sem sentimentos, uma decisão é impossível.

2 comentários:

Dani disse...

porquê a barriga e não o coração?

José Figueira disse...

Porque é mesmo da “barriga” que se fala aqui.

Claro que depende do significado que damos às coisas. Mas prefiro reservar o “coração” para determinado tipo de sensações e manifestações linguísticas mais direccionadas ao campo da poesia.

Cada pensamento, recordação, crença ou decisão, está ligado a sensações e emoções que, na maioria das vezes, não têm nada a ver com o que se entende vulgarmente por linguagem do “coração”. Neste caso, a metáfora da “barriga” é muito mais abrangente e tem fundamentos científicos. Aliás, mesmo as sensações mais sublimes, concretamente, são sentidas por todos nós, em geral, no estômago. Não é por acaso que é considerado como sendo o nosso “segundo cérebro”. Este segundo cérebro possui, segundo moderna investigação no campo neurobiológico, um sistema nervoso autónomo com mais células nervosas que o próprio cérebro !!! (Micheal Gershon, 'The second brain'). É considerado, cada vez mais, como um centro autónomo de percepção: enquanto a cabeça parece percepcionar de forma linear, o estômago fá-lo de forma holística, diz-se. O plexo solar joga um papel importante, há milhares de anos, no yoga.

Ora não ponho as mãos no fogo por algumas destas informações que nos vêm de recentes investigações, mas é claro, que não me refiro aqui ao “coração” mas, metafórica e literalmente, ao estômago, como jogando um papel importante, parece-me, na intuição.