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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O barulho da carroça

Uma certa manhã o meu pai, muito sábio, convidou-me a dar um passeio no bosque e eu aceitei com prazer. Ele deteve-se numa clareira e depois de um pequeno silêncio perguntou-me:
Além do cantar dos pássaros, estás a ouvir mais alguma coisa?
Apurei os ouvidos durante alguns segundos e respondi:
- Estou a ouvir o barulho de uma carroça.
- Isso mesmo, disse o meu pai, é uma carroça vazia ….
Perguntei ao meu pai:
- Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos?
- Ora, respondeu o meu pai. É muito fácil saber que uma carroça está vazia por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Poderão as máquinas pensar?

Esta é uma história que Gregory Bateson, antropólogo e analista de sistemas, especialista em cibernética, biologia e psicologia, escreveu no livro Steps to an Ecology of Mind.

Era uma vez um senhor que queria saber mais sobre a mente e sobre se algum dia os computadores poderiam ser tão inteligentes como os seres humanos. Dirigiu-se ao computador mais poderoso da época. Alguns ainda se lembram desses computadores antigos que ocupavam salas enormes na Universidade.
Programou, programou, e digitou uma pergunta:
- Algum dia você estará em estado de pensar tal como o faz um ser humano?

A máquina, durante horas e horas, noite e dia, imersa nos seus programas, zumbiu, murmurou, sibilou, zuniu, analisou os seus hábitos e dados de computador. Em toda a universidade a expectativa era enorme.
Finalmente a máquina imprimiu a resposta numa folha de papel. O investigador precipitou-se excitado para ler a resposta, palavras caprichosamente digitadas:
- Isso faz-me lembrar uma história…

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

As orações de sufi Bayazid

 O Sufi Bayazid conta-nos o seguinte:
"Na juventude era um revolucionário e rezava assim:

'Dai-me energia, ó Deus, para mudar o mundo!'
Ao chegar à meia-idade, notei que metade da vida já passara sem que eu tivesse mudado homem algum.
Então, mudei a minha oração, dizendo a Deus:

'Dai-me a graça, Senhor, de transformar os que vivem comigo dia a dia, como a minha família e os meus amigos; com isso já ficarei satisfeito'
Agora que sou velho e tenho os dias contados, percebo bem quanto fui tolo rezando assim.
A minha oração, agora, é apenas esta:

'Dai-me a graça, Senhor, de mudar a mim mesmo'
Se eu tivesse rezado assim, desde o princípio, não teria esbanjado a minha vida."