segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Um curso em milagres

U leitor (D.) escreve:
Estou a estudar Um Curso em Milagres, e uma das lições (325) diz assim:
Todas as coisas que penso ver refletem ideias.
"Este é o princípio fundamental da salvação: o que vejo reflecte um processo na minha mente, que começa com a minha ideia do que quero. A partir disso, a mente constrói uma imagem da coisa que deseja, julga favorável e, portanto, busca encontrar. Essas imagens são, em seguida, projetadas para fora, examinadas, consideradas reais e preservadas como pessoais."
A minha pergunta é a seguinte:
é este comportamento idêntico ao que a pnl chama de percepção/projecção?

Possível resposta:
Pelo que percebo da linguagem vaga e altamente abstracta, metafórica, para muitos, altamente inspiradora de "Um Curso em Milagres", é isso que me parece que lá está: “percepção é projecção”. Claro que, com textos deste género, as interpretações são múltiplas e, por isso, ainda mais, as percepções são sempre projecções. Cada um tira o que, no momento, é importante para si.
A percepção que se tem do mundo (o que vejo) é o resultado das maquinações da mente (o processo mental) com base na motivação pessoal (a ideia do que quero).
Se conduz à salvação (explicado algures como encontro do caminho até Deus), depende do tipo de imaginação em jogo. É o mesmo processo mental que pode, da mesma forma, levar à "perdição", parece-me (leia-se na mesma lição: de desejos insanos vem um mundo insano).
A última parte da frase afigura-se-me ainda mais confusa (imagens projectadas para fora e preservadas como pessoais). Deve querer dizer que esses pensamentos são “projectados” no mundo, o que quer dizer, se calhar, que aquilo que a mente cria, tende a realizar-se. Na verdade, é isso que me parece estar na continuação do texto da lição (de julgamento vem um mundo condenado, de pensamentos de perdão vem um mundo gentil…) Assim, o texto fala, não só da maneira como vemos o mundo (percepção é projecção), como das consequências do pensamento no mundo.
Se é mesmo assim, está precisamente de acordo com a PNL, que diz o mesmo, numa linguagem mais objectiva.
É preciso gostar-se deste tipo de textos. A vantagem da linguagem apresentada no texto acima e literatura semelhante, é que nos oferece muitas margens para devaneio que têm os seus fundamentos nos interesses e necessidades da pessoa no momento. Poesia divina com muita boa intenção e, por isso, para muitas pessoas, muito inspiradora.
J.F.

1 comentário:

Dani disse...

Mil obrigadas José!

Realmente o poder do UCEM não está na clareza do discurso, por isso já teria desistido. No entanto, quando aplico os ensinamentos (orações) no meu dia-a-dia a sensação de paz que sinto é tão instantânea que rapidamente mudo a percepção do que me rodeia - e isso é o milagre, uma mudança instantânea de percepção!

Uma excelente noite!